ONG ajuda a distribuir alimentos

Uma pesquisa feita pela ONU em todo o Brasil mostrou que um terço dos alimentos comprados pelos consumidores vai para o lixo. É um desperdiço de comida que poderia estar no prato de pessoas pobres, de baixa renda.

Mas o que dá esperança é que várias ONGs trabalham para mudar esse comportamento. Elas recolhem alimentos onde sobram para distribuir para quem não tem. Há um exemplo na zona oeste da capital.

Para encher o carrinho são selecionadas frutas e verduras. Pena que nem tudo é consumido. “Eu esqueço o que tenho e esqueço de consumir. Sempre acabo comprando um pouquinho a mais”, disse Tae Jung Chang, estilista.

“É importante que as pessoas tenham a consciência que o desperdício de alimento tem um impacto sobre ela, sobre a economia, sobre a sociedade e sobre o meio ambiente”, explicou Hélio Mattar, presidente da ONG Akatu.

Esse é um comportamento comum que sempre incomodou Luciana Quintão. Há uma década ela resolveu agir. Montou a Banco de Alimentos, uma organização não-governamental que recolhe de onde sobra e entrega onde falta.

“O procedimento é muito cuidadoso. Dá um pouco de trabalho, mas é perfeitamente executável. Nós promovemos ações educativas para que a fome diminua na origem, que é a mudança de habito da sociedade como um todo”, disse Luciana.

Todos os dias, os carros da ONG partem em direção aos doadores. A empresa no bairro no Jaguaré processa dez toneladas de frutas e verduras diariamente. Nem tudo passa pelo controle de qualidade, ou seja, não pode ser vendido pelas normas da empresa. Mas podem sim ser consumidos.

Em dez anos a ONG já recolheu 3,2 milhões de quilos de alimentos. São toneladas e toneladas de comida que antes iam para o lixo, mas que ganharam um destino bem mais nobre.

O alimento ajuda 51 instituições da capital, como abrigo no Sumaré, onde moram 17 crianças que viviam em situação de risco. As sacolas que chegam todos os dias garantem geladeira cheia e comida na mesa.

“Desde quando eles começaram a contribuir com a gente melhorou sensivelmente a parte nutricional e a diversidade”, disse Ivan Palma, coordenador pedagógico.

Vinte e duas mil pessoas são alimentadas graças ao trabalho da ONG, que recebe doações de 200 empresas. Mas quem quiser ajudar pode procurar a ONG Banco de Alimentos.

Reportagem exibida no SPTV 1ª edição, em 30 de janeiro de 2009.